Nicholas Hoult Brasil
abril 23, 2016  Os comentários estão fechados Entrevista Traduzida, Entrevistas, Kill Your Friends

O autor de Kill Your Friends entrevistou Nicholas durante a promo de Kill Your Friends. Confira a entrevista completa abaixo:

A primeira vez que eu conheci Nicholas Hoult foi em um escritório no Pinewood Studios, em março de 2014. Foi uns dias depois do inicio das gravações de Kill Your Frieds, o filme inspirado no meu livro de mesmo nome. Meu pensamento foi ‘’Wow, alguém tão alto e tão bonito não deveria existir.” Você pode imaginar minha decepção esmagadora quando eu descobri que além de ser alto e bonito, Nick também é inteligente, acolhedor, simpático e são.

Claro que essas qualidade são completamente diferentes de Steven Stelfox, o personagem que Nick iria fazer. Para aquele que não leram o livro, Stelfox é um implacável e imoral agente de A&R em uma grande gravadora em Londres em 1997, o auge do Britpop. Ele é um cara que fará de tudo para chegar ao topo. Quanto mais eu conhecia o Nick mais eu pensava, “Wow. Ele realmente vai ter que trabalhar nesse aqui.” Graças a deus ele fez, dando vida ao personagem em uma performance memorável.

Claro que quando você trabalha com alguém (eu escrevi o roteiro do filme) você raramente faz perguntas. Você está muito ocupado com seu trabalho. Então fiquei feliz quando NME me convidou para sentar e conversar com o Nick e descobrir um pouco mais sobre o que ele estava pensando quando pegou o papel que foi descrito como “um dos personagens mais desgraçados da literatura.” Nos encontramos no Soho Hotel na Dean Street, Londres, onde bebemos Martinis, comemos mini hamburgers e conversamos pela primeira vez em quase um ano.

Com Kill Your Friends, o que você leu primeiro, o roteiro ou o livro?

O roteiro. Gregor [Cameron, produtor] se encontrou comigo no Hyde Park alguns anos atrás e me deu uma cópia. Eu pensei ‘Uh oh, alerta de cara louco.’ E Owen [Harris, diretor] ainda não estava no projeto, então não parecia real para ser honesto. Eu estava filmando outro filme por um ano e então Owen apareceu – eu seu episódio em Black Mirror – então eu li o roteiro novamente e então o livro, e era o ponto onde eu pensei “Porra, eu tenho que fazer esse personagem.” E, você sabe, aquele ano fez uma grande diferença.

Sim, inicialmente eu pensei que você era novo demais para ser Stelfox. Eu acho que você tinha 23 anos quando foi cotado e o personagem tinha 26. Mas agora você tem o que, 25?

Sim.

E alguns anos fazem uma grande diferença na sua idade. E também, escalar alguém como Craig Roberts oposto a você faz uma grande diferença em como você fica na tela.

Definitivamente. Craig é ótimo no filme. E é difícil, pois depois de você ler o livro você começa a ter ideias sobre como os personagens são, especialmente quando eu estava tentando ver tudo na perspectiva do Stelfox.

Você teve alguma limitação em fazer um personagem tão descaradamente e assumidamente antipático?

Não. Estranhamente eu estava gostando. Eu estava lendo o livro novamente ante de começarmos a gravar. Eu estava andando pela cidade e ocasionalmente eu tinha que parar pois eu olhava as pessoas e ouvia a voz do Stelfox na minha cabeça. Você sabe, o que ele pensaria sobre eles, descrever eles ou o que ele faria com eles. Acontecia muito no trem…

 Teve algum momento do roteiro onde você pensou, “mal posso esperar para fazer isso”?

Certamente qualquer momento onde algo da errado e ele perde o controle por um segundo. O discurso no jantar quando ele está tentando assinar com o The Lazies e então mostra o que ele realmente queria dizer.

 Esse é um dos prazeres do filme: A divergência entre o que ele está pensando e dizendo em qualquer situação. Nós tivemos que tentar várias coisas para fazer isso funcionar no filme…

Owen me fez assistir House Of Cards.

É muito frustrante como um escritor, já que o original eu escrevi quatro ou cinco anos atrás, em 2010 ou 2011, tem muita conversa com a câmera e então – você sabe o processo de fazer um filme, leva tempo para ter qualquer coisa feita – na época que o filme estava acontecendo House Of Cards e Wolf Of Wall Street tinham saído e pessoas iriam pensar que você estava imitando eles. Eu tenho rascunhos com datas de três anos antes desses filmes acontecerem.

Eu amo essas partes brutalmente honestas. O ritmo da linguagem e a criatividade em dizer coisas desastrosas e horríveis ainda é astuto e observador. Isso foi muito atraente.

Por Que você decidiu fazer Kill Your Friends? Você poderia ter ganho muito mais dinheiro fazendo outra coisa…

Ah… Sim! Eu poderia! [Ri, e então fica pensativo] Eu apenas acreditei nisso. Você sabe? Primeiramente, eu não tinha lido nada como isso. Quero dizer, obviamente você escutou falar sobre a comparação com Psicopata Americano, mas não acho que o tom é o mesmo. Certamente há uma falta de empatia com ambos os personagens…

Como no livro não há nenhuma história de fundo, você não sabe o motivo de Stelfox ser como ele é. Presumidamente você como um ator pensou sobre isso?

Owen e eu conversamos sobre como Stelfox tem medo de se tornar o tipo de pessoa que ele mais despreza – um membro do público geral. Apenas um ninguém. Nós falamos sobre como ele provavelmente não teve nenhuma educação e como ele não tinha nenhuma rede de segurança, enquanto várias pessoas a sua volta provavelmente vêm de famílias ricas. Stelfox precisa ter sucesso a todo custo.

Curiosamente, uma das inspirações para Stelfox foi Don Simpson. Simpson era um garoto pobre do Alaska que esculpiu seu caminho até o ponto de Hollywood e ele era apenas uma fonte de grandes orçamentos. Ele disse algo do tipo: “Você sabe, eu vejo crianças entrando no mundo dos filmes o tempo todo. E eles são espertos e engraçados e amam filmes e gostam de ir para o almoço e coisas do tipo e eu penso EU VOU TE ATROPELAR COM A PORRA DE UMA CAMINHONETE.” Ele era alguém com um foco extraordinário. Você deveria ler a biografia dele por Charles Fleming.

É um pouco tarde para pesquisas agora.

Verdade. Deixe-me perguntar isso, você se lembra das musicas do filme? Presumidamente você estava na escola na época que o livro foi lançado…

Em 1997? Sim. Eu tinha sete anos! Eu acho que ‘(What’s The Story) Morning Glory’ do Oasis foi um dos primeiros álbuns que eu comprei, anos depois de ter sido lançado. Eu costumava entrar no quarto do meu irmão e ouvir seu Walkman. The Prodigy’s ‘The Fat Of The Land’ é um que eu lembro ouvir e ficar “Wahhhgh!” O que mais? Eu lembro que realmente gostava de “Ooh Ah… Just A Little Bit” da Gina G. Eu fiava “Porra de musica!” Como eu disse, eu tinha sete anos.

Eu acho que os anos 90 para você foi a mesma coisa que 1970 para mim – quase histórico.

Sim e não. O jeito que o meu cérebro trabalha, parece tudo contemporâneo até você voltar em 1950 ou 60. Alguém comentou outro dia que ‘Crazy In Love’ tem 12 anos e eu fiquei tipo: “Espera ai – O que?”

Cara eu sou um ancião. Eu acho que The Strokes é uma banda nova.

Hahahahahaha! Se eu estou conversando com alguém de 18 ou 19 anos e eu menciono um rap clássico, e eles não conhecem, eu fico ‘Como você não conhece?’ E então eu lembro que eles tinham uns sete anos quando foi lançado e provavelmente não ouviam muito rap.

Você é um grande fã de rap?

Eu sou, na verdade. Eu acho que o último show que eu fui foi do Kendrick Lamar.

Eu amei o último álbum.

Você conhece seu primeiro álbum?

 Não muito.

Cara, é fenomenal.

“Bitch Don’t Kill My Vibe”?

Esse tem um lugar especial no meu coração.

O que mais, musicalmente?

Eu ainda amo Eminem. O primeiro ‘Marshall Mathers LP’. Etta James, Otis Redding, The Rolling Stones. Eu gostei do último álbum do Jamie XX. É como filme, não é? Você não diz ‘Eu apenas gosto de um tipo de filme,’ diz? Mas então, eu não escuto muito death metal, por exemplo.

Assim como em Kill Your Friends, você esteve em alguns filmes de X-Men. Recentemente nós vimos Spielberg e Emma Thompson ponderando sobre a onipresença dos filmes de super-herói…

As vezes vejo filmes de super-heróis e fico frustrado com eles. Parece que são apenas embalagens e não estão se esforçando o bastante, porque eles sabem que é uma fórmula rentável. Mas eu amo os filmes de X-Men pois eles tem coração e tem atores como Michael Fassbender, que trazem muito para os personagens. Os heróis nesse mudo não são presunçosos. Você não quer assistir alguém que você sabe que vai ganhar desde o começo apenas se incrível por duas horas.

É uma época interessante para você como ator, fazendo filmes de X-Men e Kill Your Friends…

Sim. Não porque eu esteja pensando, “Oh wow! Está tudo acontecendo para mim!” Mas é porque eu estou fazendo coisas diferentes, interessantes. Alguns anos atrás eu estaria lendo o roteiro de Kill Your Friends e pensando, “Eu amaria fazer isso,” e eles iriam escalar alguém com seus 20 anos. Agora eu faço coisas como Mad Max e Equals.

Foi divertido interpretar alguém como Stelfox?

Foi. Sendo um ator desde criança eu sempre fui ciente das armadilhas do jogo. E a chance do fracasso. Então eu sempre fui muito sensível e cuidadoso para não deixar a coisa toda fugir de mim. Por quando você está em um filme famoso quando é uma criança, você não que isso seja o ponto alto da sua vida. E também, tudo parece um pouco mais seguro esses dias, na musica e na atuação. E fazer alguém como Stelfox, que mostra o lado sombrio e fica louco com isso foi muito divertido.

Falando de About A Boy, as pessoas já pediram para recriar a cena de Killing Me Softly em alguma festa?

Ah… Não. Mas as pessoas costumavam cantar ‘Shake Your Ass’ para mim quando eu passava na rua.

E você fazia?

Nunca. Nunca mesmo.

Fonte | Tradução: Ana – NHBR








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