Nicholas Hoult Brasil
Maio 05, 2016  Os comentários estão fechados Entrevista Traduzida, Entrevistas, Kill Your Friends

Durante a divulgação de Kill Your Friends, Nicholas concedeu uma entrevista para o Independent UK onde falou sobre o filme e muito mais. Confira:

Nicholas Hoult encontrou a fama como uma criança com um corte de cabelo tigela. Agora ele está interpretando um psicopata drogado mas ele ainda tem muito que aprender, ele conta a Chris Sullivan.

É difícil de acreditar que o alto, jovem bem vestido sentado na minha frente é o mesmo Nicholas Caradoc Hoult que conheci quando ele tinha 12 anos, com um corte de cabelo tigela, no set de Um Grande Garoto. Do mesmo jeito que é difícil compreender que esse jovem extremamente bem educado é também o mesmo indivíduo que entrega uma performance genuína como Steven Stelfox, o implacável sexista, racista, cínico executivo de uma gravadora dos anos noventa em Kill Your Friends, uma adaptação de Owen Harris histericamente engraçada do best-seller de John Niven.

Eu não tinha tanta certeza que o Hoult de 25 anos, ou para todos os efeitos, qualquer ator mais jovem que 30 anos, poderia interpretar Stelfox, um personagem complexo, às vezes nocivo e estranhamente carismático, que carrega um peculiar cinismo cruel que normalmente vem com a idade.

“Eu não diria que isso foi fácil” ri Hoult. “A maioria dos personagens como Stelfox tem um castigo merecido ou algum tipo de arrependimento mas ele está disposto a ser mais sombrio que qualquer outra pessoa, ele é extremamente insano, incansável e sem remorsos até o fim. Felizmente, o diálogo de John Niven é hilariamente perverso e muito, muito plausível, por isso foi ótimo libertar e apreciar o inominável.”

Isso não é apenas uma vitória do diálogo. Hoult transmite a decadência ética do personagem com linguagem corporal, enquanto sua decrepita moral é gravada mais e mais profundamente em seus olhos conforme o filme avança. “Ele começa com muito autocontrole,” ele explica. “Sempre perspicaz e focado, então quando ele começa a perder o controle e pensar que vai perder o emprego e se tornar tudo que ele despreza, pânico e medo se instauram e ele decide fazer ‘qualquer coisa’ pra consertar isso.”

“Qualquer coisa” inclui suborno, coerção, homicídio premeditado e o enquadramento impiedoso de qualquer um que ousar entrar em seu caminho.

“Stelfox simboliza essa cultura que temos que é governada por pura e impiedosa ambição acima de bom gosto e talento,” diz Niven, um ex caça talentos na London Records por 10 anos. “O livro se tornou um depósito para as alegremente sórdidas, perversas, coisas corruptas que eu via.”

Consequentemente, uma das hilárias vertentes do filme mostra Stelfox fazendo uma audição de uma girl band composta de quatro mal vestidas, vadias escandalosamente sem talentos. Ele odeia audições quase tanto quanto odeia seus colegas da gravadora, então desdenhosamente as arruma uma música brega, edita suas vozes e de alguma maneira as coloca no topo das paradas. É tudo dolorosamente familiar.

“Talvez eu seja um romântico,” suspira Hoult, “mas eu gosto de lembrar dos velhos tempos em que as pessoas aprendiam seus ofícios. Agora as pessoas acham que tem o direito de serem famosas ou virarem uma celebridade sem trabalhar! Algumas pessoas conseguem atuar sem experiência prévia — elas apenas conseguem — mas eu tenho que investir meu tempo e ainda sentir que eu poderia ter feito melhor.”

Ninguém pode acusar o ator nascido em Wokingham de não investir seu tempo. Ele fez sua estreia no filme Relações Íntimas, aos 7 anos, recebeu notoriedade em Um Grande Garoto, se destacou em Juventude Rebelde, se tornou um galã protagonizando Skins e alcançou o pote de ouro atuando ao lado de Colin Firth em Direito de Amar.

Será que ele acha que não teve uma infância adequada? “Bom, é impossível dizer,” ele responde. “Mas eu sinto que eu sou realmente muito, muito sortudo. Ocasionalmente eu paro para pensar e percebo que viajei para lugares que a maioria das pessoas nunca foram e conheci inspiradoras, extraordinárias pessoas com quem posso aprender algo. E foi diferente para mim do que é para algum ator mirim americano que é tirado da escola e vive nesse estranho vácuo que é outro mundo. Eu continuei na escola e voltava a ser uma criança normal depois do trabalho, o que é inestimável.”

Depois de Direito de Amar, a carreira de Hoult decolou. Ele interpretou Hank McCoy/Fera em X-Men: Primeira Classe, sucesso de bilheteria do diretor Matthew Vaughn, foi o protagonista homônimo junto de Ewan McGregor e Stanley Tucci em Jack: O Caçador de Gigantes. Então ele repetiu seu papel como Hank McCoy em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido e embarcou em um muito divulgado, relacionamento de 3 anos de idas e vindas com sua colega de elenco, ganhadora do Oscar e a atriz mais bem paga do mundo, Jennifer Lawrence.

São abundantes os rumores em relação ao casal. Alguns dizem que Hoult está tentando ganhar a afeição dela de volta depois de seu caso com Chris Martin do Coldplay já que os dois foram vistos chegando no mesmo dia em Montreal, Canadá para as gravações de X-Men: Apocalipse. Uma pergunta sobre a situação amorosa dos dois provoca um constrangido e enorme silêncio incômodo. Namorar deve ter sido um inferno com os paparazzi, entretanto? “Na época teve momentos disso em Los Angeles,” ele admite, obviamente relutante em falar. “Mas eu moro em Londres e posso pegar o metrô e ninguém vai ligar. Eu sou sortudo assim mas eu conheço pessoas cuja a vida se tornou completamente incontrolável e insuportável.”

Hoult insiste que ele não vai perder contato com a realidade. “Eu ainda posso ir em um bar e tomar uma cerveja e vagar por aí,” ele esclarece. “E eu realmente preciso disso. Uma vez que você perde isso, pode se tornar muito difícil interpretar coisas em um natural, jeito humano já que você não faz mais parte de um natural, mundo humano.”

“Mas um dos momentos mais legais do meu trabalho é quando alguém vem até você e diz ‘Eu realmente gostei de você nesse filme’ — sem fotos, sem autógrafos — só um momento genuíno. Isso é uma coisa ótima. A única coisa que me incomoda é quando as pessoas fingem que não estão tirando uma foto sua. É tipo, ‘Cara, apenas peça a foto – está tudo bem mas eu posso ver exatamente o que você esta fazendo’. O que é pior é quando você pensa que alguém está tirando uma foto sua e você vai confrontá-la e ela não está. Um amigo meu bem conhecido abordou esse cara com uma grande câmera profissional que estava fotografando em uma cafeteria em que estávamos. Ele chegou e disse, ‘Cara, tipo, o que você está fazendo?’ Mas esse cara não sabia quem ele era e, por alguma razão, na verdade estava tirando alguns closes da máquina de café.”

Eu temo que os dias pacíficos de anonimato de Hoult podem acabar em breve. Nos previamente papéis importantes ele estava pintado e coberto de pelo azul em X-Men e com sua cabeça raspada e pálido como o escravo doente terminal maluco em uma missão, Nux em Mad Max: Estrada da Fúria. Mas nos próximos lançamentos tais como Equals (no qual ele protagoniza com Kristen Stewart), Rebel in the Rye, onde ele interpreta J D Salinger, e Collide, um filme sobre tráfico de drogas com Anthony Hopkins e Felicity Jones, certamente o vão expor para o mundo. Inteiramente tranquilo, ele parece mais decidido em construir um currículo sério do que se preocupar com a rigidez da fama.

“Tudo que quero fazer é não me repetir ou pegar escolhas fáceis de filmes,” sorri o ator que, nos últimos tempos, interpretou um soldado, um zumbi, um psicopata e um mutante. “Podem me oferecer um drama de época, o que seria um sucesso fácil e financeiramente recompensador, mas não tem sabor neles; e em algum ponto você tem que, como o Tom Hardy diz, merecer seu sustento. Então sim, eu ainda tenho muito o que provar e várias coisas para aprender, e muito espaço para melhorar.”

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